Na maioria das empresas, essa pergunta não tem resposta. Há pastas com listas de presença, certificados digitalizados e horas acumuladas. Tudo isso demonstra que o treinamento aconteceu. Nada disso demonstra que a competência existe.
A distância entre essas duas coisas é onde mora o acidente. E, a partir de novembro, também é para onde a fiscalização chilena vai olhar.
O simulado é agendado. O fogo, não.
Os exercícios de emergência são coordenados: avisa-se por e-mail, conversa-se com a produção, escolhe-se um dia tranquilo e faz-se no pátio com boa luz. É o razoável do ponto de vista operacional.
O problema é que o fogo real não negocia horário. Começa no turno da noite, no corredor entre os racks, com uma pessoa sozinha que precisa decidir em segundos se combate o princípio de incêndio ou evacua.
Essa decisão não se ensina em uma apresentação. Treina-se repetindo-a muitas vezes, em cenários diferentes, até deixar de ser uma dúvida e passar a ser um reflexo.
Faça a conta do exercício real
Some o que custa um exercício com fogo real: a recarga dos extintores, o combustível, o pátio bloqueado, a permissão de trabalho, as horas-homem da brigada. Agora divida isso pelo número de vezes que cada trabalhador conseguiu praticar.
Na maioria das operações o resultado é o mesmo: uma vez por ano, trinta segundos, sem repetição e sem registro individual.
Um simulador muda essa conta. A prática deixa de ser um evento anual e passa a ser algo que se repete quantas vezes for necessário, sem recarregar extintores, sem fechar o pátio e sem tirar a brigada da operação por meio dia.
No VR FIREX, isso significa incêndios classe A, B e C em ambientes de escritório, depósito de armazenagem, operação industrial, indústria de explosivos e mineração, com um extintor real de pó químico seco adaptado ao ambiente virtual. A mão aprende o peso do equipamento e o curso do gatilho, não apenas o conceito.
O que se recupera não é só orçamento. É evidência.
É aqui que entra a outra metade do sistema. Cada exercício feito por cada trabalhador fica registrado: qual cenário enfrentou, quais decisões tomou, onde falhou e quanto melhorou entre uma tentativa e a seguinte.
Isso não é um certificado. É a rastreabilidade completa de como essa pessoa foi formada. E permite entrar em uma reunião de diretoria com um dado em vez de uma intuição: qual porcentagem do quadro domina de fato o procedimento crítico, e quem são os que faltam.
Por que isso deixou de ser opcional
O Decreto Supremo 44 (DS 44, decreto chileno de prevenção de riscos ocupacionais), vigente desde fevereiro de 2025, obriga a treinar cada trabalhador por no mínimo oito horas, com uma periodicidade que não pode ultrapassar dois anos, "usando metodologias que assegurem a adequada compreensão do trabalhador". Entre os conteúdos obrigatórios — para todo trabalhador, independentemente do setor — está a prevenção de incêndios e o uso de extintores (no Brasil, tema tratado pela NR-23).
Em agosto de 2026 foi publicada também a Guía Técnica de Capacitación (Resolución Exenta 1.117, guia técnico oficial chileno), que entra em vigor em 1º de novembro de 2026. Ela fixa a metodologia de ensino, os mecanismos de avaliação e a certificação individual associada à identificação de cada trabalhador. Seu ponto central: a verificação por parte da autoridade trabalhista vai além da mera presença.
Durante décadas, o registro de treinamento no Chile foi uma lista de assinaturas. O que se fiscaliza agora é se a pessoa compreendeu, e isso precisa ser demonstrado trabalhador por trabalhador.
Não dizemos que um simulador seja a única forma de cumprir a norma; seria desonesto afirmá-lo. Dizemos algo mais simples: um sistema que mede o desempenho individual produz, por sua própria natureza, o tipo de registro que a norma agora exige, sem trabalho administrativo adicional.
Cinco perguntas para revisar esta semana
- O seu programa de trabalho preventivo define a cada quanto tempo se treina, e respeita o máximo de dois anos?
- Os conteúdos cobrem os sete pontos obrigatórios do artigo 16, incluindo o uso de extintores?
- Você consegue comprovar a compreensão — não só a presença — de cada pessoa?
- Os seus registros estão associados à identificação individual do trabalhador?
- Quantas vezes por ano cada integrante da sua brigada consegue realmente praticar?
Se a quinta pergunta incomodou mais do que as outras quatro, você já sabe por onde começar.
Nosso simulador de extintores com realidade virtual está em operação desde 2018 em mais de vinte instalações, em setores que vão da mineração à armazenagem industrial. Você pode ver como funciona em VR FIREX e como o desempenho é registrado em VR CLASS.
Fontes: BCN — Decreto Supremo 44 · Dirección del Trabajo — artigo 16 · Subsecretaría de Previsión Social — guias técnicos do DS 44
