Um acidente leve custa à sua empresa 4% das vendas por trabalhador
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Um acidente leve custa à sua empresa 4% das vendas por trabalhador

A conversa sobre segurança costuma ficar com o técnico de segurança do trabalho. Este dado a leva para a diretoria, porque deixa de ser um tema de conformidade e passa a ser um tema de…

2026-09-09 · Qualitat

A conversa sobre segurança costuma ficar com o técnico de segurança do trabalho. Este dado a leva para a diretoria, porque deixa de ser um tema de conformidade e passa a ser um tema de margem.

Não é uma estimativa de consultoria estrangeira. É um estudo da Pontifícia Universidade Católica do Chile (PUC), financiado pela ACHS (Associação Chilena de Segurança, entidade gestora do seguro de acidentes do trabalho no Chile), que acompanhou cerca de 1.500 empresas chilenas com dados financeiros reais entre 2011 e 2013, em um universo de 250.000 empresas e dois milhões de trabalhadores filiados.

A descoberta incômoda são os acidentes leves

Aqueles que não chegam à diretoria, que se resolvem com um afastamento curto e que a organização normaliza.

Um único acidente leve reduz em 4% as vendas por trabalhador nas empresas de produtividade média e alta. Dez acidentes leves acumulados implicam uma queda de 27% a 40%.

A média de dias perdidos por acidente no Chile é de 19 dias úteis.

Para cada real que você vê na fatura, há quatro e meio que você não está vendo

A metodologia oficial da OSHA para estimar o custo dos acidentes de trabalho estabelece uma razão de custos indiretos sobre diretos de 4,5 para 1 para lesões cujo custo direto é inferior a 3.000 dólares. Seu exemplo literal: uma lesão de 1.500 dólares em custos diretos representa 8.250 dólares de custo total para a empresa.

O indireto é tudo aquilo que não é faturado, mas que todos pagam:

  • A investigação do incidente
  • O tempo do supervisor
  • A substituição e sua curva de aprendizagem
  • A queda no moral da equipe
  • A reprogramação da operação
  • As horas extras de quem fica
  • O aumento do prêmio do seguro

O paradoxo é que a razão é maior nos acidentes pequenos, justamente aqueles que a organização deixa passar sem análise.

O porte da empresa muda a equação

O mesmo estudo da PUC desagregou a taxa de acidentes por porte. As empresas com até 100 trabalhadores registram 4,5 acidentes a cada 100 trabalhadores. As de 500 ou mais, 3,0.

Por setor, a indústria lidera com 5,3, seguida de transporte com 5,1, agricultura com 4,7 e construção com 4,6.

A diferença não se explica por descuido. Explica-se pela estrutura: a empresa grande tem departamento de segurança, orçamento de treinamento, instrutores internos e capacidade de tirar pessoas da produção. A média e a pequena têm um técnico de segurança que faz de tudo e uma linha que não pode parar.

O contexto do país

O Chile fechou 2024 com 199.874 acidentes de trabalho e 154 trabalhadores mortos, segundo a Superintendência de Seguridade Social (SUSESO), em um universo de 7,2 milhões de trabalhadores protegidos pela Lei 16.744 (lei chilena do seguro contra acidentes do trabalho e doenças ocupacionais).

Há avanço real, e é preciso reconhecê-lo: os acidentes caíram 4,3% em relação a 2023, os graves recuaram 8%, as amputações traumáticas 19%, e houve 46 mortes a menos que no ano anterior. A taxa de mortalidade está em 2,1 por 100.000 trabalhadores protegidos.

E, ainda assim, 154 pessoas que saíram para trabalhar não voltaram. Três por semana.

O que fazer com esses números

Quando alguém diz que um programa de treinamento é caro, a pergunta certa não é quanto custa o programa. É quantos acidentes leves você precisa evitar por ano para pagá-lo.

Esse cálculo quase nunca é feito, e quase sempre dá a favor do programa. Com o número da PUC e a razão da OSHA, qualquer pessoa pode fazê-lo com os números da própria empresa em uma tarde.

E é aí que a discussão sobre formar competências reais deixa de ser um tema da área de segurança e passa a ser um tema de produtividade que não se conseguiu explicar.

Fontes: Tarziján (PUC) & Matamala (UCLA Anderson) para ACHS/FUCYT, 2017 · OSHA — U.S. Department of Labor, estimador $afety Pays · SUSESO — Relatório Anual de Segurança e Saúde no Trabalho, 2025

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